ACESSIBILIDADE EM TRÂNSITO POÉTICO - 2011.

RELATOS URBANOS DOS PESQUISADORES__ACC DANA 59 -

Orientadora: ProfªDrª Fátima de Campos Daltro de Castro1.

Relatos Urbanos por Cátia Assunção2.

O ACC DANA59- Acessibilidade em Trânsito Poético. Oficinas de dança e arte para pessoas com deficiências, seus cuidadores e comunidade, tendo como orientadoraa ProfªDrªFátima Campos Daltro de Castro da Escola de Dança da UFBA/PROEXT, desenvolveu no período de 2011.2,o Projeto Cirandas Memórias Urbanas que  reuniu  depoimentos,imagens e vivências urbanas do espaços que eles precorriam iniciando na siada de casa com destino às aulas de dança na Escola de Dança.

Cada pesquisador observou o ambiente por onde andou, escolheu algo que tenha chamado sua atenção, compartilhou as suas sensações e trocou ideias com os outros. Esses foram alguns dos passos dados para esse estudo.As Cirandas tinham como temáticas assuntos ligados ao ambiente urbano e suas interferências no corpo que dança.Por exemplo, dos sons, emoções, silêncios, solidão e acessibilidade espacial urbana, elementos que interferiram em suas criações.

A metodologia aplicada para esta pesquisa foi pautada na pesquisa-ação.Nessa perspectiva, conforme Thiollent(1994) pesquisadores e pesquisados são sujeitos de um trabalho comum, embora com situações e tarefas diferentes.Os participantes do ACC DANA59 estiveram inseridos neste contexto ativamente, participando da seguinte forma: observação direta e contínua seguida de relatórios; adotando o diário de bordo para registro das atividades desenvolvidas.

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1-Licenciada pela Escola de Dança pela UFBA,atualmente faz Bacharelado em Dança ,fez Iniciação Científica pela CNPQ,participa do Grupo de Pesquisa Poética da Diferença é Bolsista ACC da Proext 2011.

2-Profa. Pós Dra. Fátima Campos Daltro de Castro, atua na Escola de Dança da UFBA, Coordenadora do Grupo de Pesquisa Poética da Diferença, membro do Colegiado do PPGDANCA, Coreógrafa e Dançarina do Grupo x de Improvisação em Dança.

 

 

Sobre o aspectoda pesquisa, de acordo com Correia (2007) no que diz respeito ao fazer artístico, na arte contemporânea, a presença dos meios tecnológicos coexiste nos ambientes da vida cotidiana, faz parte do contexto cultural e dos processos artísticos no campo das mediações tecnológicas e de comunicação, e o corpo faz parte disso.

 

RelatosUrbanospor Ana Clara Santos Oliveira3.

Desenhamos assim, nossos procedimentos:importância do espaço urbano namemória/construção da performance do dançarino, a partir da pregunta, O que traz você em Dança?; memórias da oficina Jê t’aime promovida pelo Grupo X de Improvisação em Dança e Companhia Artmacadam, onde graduandos e educandos também participaram levando dessas relações memórias de outros corpos que alí faziam parte; observação, imaginação trazendo para as cenas da ciranda o que é visto nas ruas (prédios, obstáculos, não acessibilidade, lixos e reciclagens, carros, ônibus repleto de passageiros, árvores, pessoas, entre outros).

Além disso, a temática metafórica o conceito de Michel Foucault "Microquímicas do poder” sobre limitação do indivíduo no espaço  social (falta de acessibilidade) e a luta pela mesma fazem parte também das construções de pensamentos no espaço cênico das Cirandas.

Com as Intervenções Memórias Urbanas, foram apresentadas as tarefas articuladas com a audiodescrição, utilizando: vídeos de curta metragem com audiodescrição e sem o recurso que abordem o espaço urbano e atuação de corpos neste; explicações; processos de escuta e discussões ofertando possibilidades para que cada integrante consiga realizar familiaridade com o objeto de estudo e, saber a relevância de um trabalho audiodescrito, sobretudo, entendendo a dinâmica disto nas atividades em desenvolvimento.

Em cada ciranda, um roteiro foirealizado com o intuito de audiodescrever nossa composição cênica Intervenções Memórias Urbanas no Painel Performático da Escola de Dança 2011.2 como consideração final da proposta. Para isto, materiais como: máquina digital (filmagens), lixos, anotações, contribuições bem como as discussões são registradas para auxiliar no texto e na locução que acontecerá em tempo real.

 

Faz-se necessário enfocar também que a pesquisa vinculada ao tirocínio uma das minhas primeiras experiências para diversos espectadores. Para tal, neste laboratório foramconvidadas pessoas cegas e videntes. Além disso, no 2º Encontro O que é isto?de dança, houve como atividade continuada do tirocínio, a audiodescrição dos espetáculos de dança. Em suma, a proposta apresentada ajudou nas construções da pesquisa a qual momentaneamente está delineada como pesquisa exploratória descritiva, com grupo focal de pessoas cegas.

RelatosUrbanosporDilsileide Sousa Aleluia4.

As Cirandas Memórias Urbanas basearam-se, a partir dos encontros realizados nas oficinas promovidas pelo jê T’aime, no espaço xisto Bahia localizado ao lado da biblioteca central dos Barris. Promovida pelo Grupo X de Improvisação em Dança e Companhia Artmacadam,

 Os métodos utilizados para as Cirandas foram da seguinte maneira: contato com algum apoio – a escolha foi a parede - começa com a movimentação do sentir a textura da parede no corpo, imaginando tudo que é visto nas ruas como: prédios, carros, árvores, pessoas e se desviando dos obstáculos que surgem nos caninhos escolhidos por cada um e estabelecendo uma relação entre urbano e dança.

Relatos Urbanos Por Dilton Silva de Jesus5.

 A oportunidade de participar do Projeto ACC DANA 59 – ACESSIBILIDADE EM TRÂNSITO POÉTICO – 2011.2, trouxe uma ampliação das possibilidades de ações inerentes ao corpo, provocando outras reflexões acerca do objetivo/subjetivoacontecendo na situação do corpo imerso numa vivência, demandada pelas “proposições articuladas” (Latour, Apud Nunes e Ricardo, 2008, 46) corporais, intencionais, interativas, cujas fronteiras são diálogos de relações sutis e complexas da experiência do/no corpo-mundo.

 

3Ana Clara Santos Oliveira é  formada em Educação Física,atualmente é  Mestranda em Dança pela Ufba.Participa do Grupo de Pesquisa Poética da Diferença

4Dilsileide Sousa Aleluia é graduanda em Dança pela UFBA e Participa do Grupo de Pesquisa Poética da Diferença.Atualmente é bolsista Permanecer.

 

 

Recorrendo a Lenira Rengel, (2003, 1), atento ao “automatismo” das funções vitais, acessando as referências internas dos padrões corporais sensibilizados com as novas informações, adquirindo assim, novas habilidades e outras formas de interação com o meio externo; do “corpo lixo”, reciclando padrões do “lixo emocional”, experimentando outras situações e soluções do/no lixo cotidiano. O corpo-ambiente se (re)significando continuamente.

O corpo assim problematizado, atuando nesse contexto, apreendendo e aprendendo, assimilando e contestando, transformando e criando, reproduzindo e construindo outras realidades na extensão do tempo. Corpo, que “afetado” (Favret-Saada,2005, 158), vivencia o continuum desse coexistir, afetando e integrando o fluir desse processo intercambiável. Essa condição de possibilidades de construção contínua do corpo, abrangendo e considerando o fluxo de informações de dentro para fora e vice-versa, é assim explicitada: “a evolução corporifica informações em todas as partes de todos os corpos” (Dennett, 1999, 75).

Relatos Urbanos por Darlene dos Santos Menezes6.

Destacaram nas cirandas Memórias Urbanas as danças urbanas que são o hip hop, o pop entre outros, fazendo assim experimentações corporais com base nesses ritmos. E dentro dessa perspectiva tomamos a postura de bailarinos, artistas que com a sua arte, com a sua dança, buscam criativamente e poeticamente o urbano e todo o seu contexto.

 Como diz Marcela Ferreira Louzado no texto Corpopaisagem : “A arte, assim, seria capaz de deslocar os sentidos, confeccionar sensações diferentes das habituais, reinventando histórias e geografias, incessantemente. Em um caminho cheio de riscos, naturalmente, inconcluso, os artistas, com assuas armas de guerra, a partir de práticas públicas experimentam diferentes relações, entre o corpo e a cidade.”

 

 

5Dilton Silva de Jesusé formado em Psicologia pela UFBA e  aluno espacial de Antropologia também pela UFBA.Participa do Grupo de Pesquisa Poética da Diferença.

6Darlene  dos Santos Menezes é graduanda em Dança pela UFBA e Participa do Grupo de Pesquisa Poética da Diferença.Atualmente é bolsista Permanecer.

Conclusões Urbanas.

A partir dos relatos Urbanos dos pesquisadores, concluí-se que a prática do ACC DANA59, os discursos sobre políticas públicas para as Pessoas com Deficiência ganham contornos reais tanto no campo teórico quanto prático,o termo acessibilidade é efetivado em suas várias estâncias artísticas,sociais,educacionais,geográficas dentre outros.Recorrendo ao renomado geógrafo Milton Santos (1987),quando  cita que, uma das principais ideias presentes no livro Espaço cidadão,  é de que o valor dos homens depende do lugar onde vivem, até mesmo indivíduos da mesma condição podem ter seu valor influenciado em função de suas diferentes condições de acessibilidade. Isto é,a possibilidade de um maior ou menor grau de cidadania depende do ponto do território onde se está.


Referências

DALTRO, Fátima, Corpo Sitiado. A comunicação Invisível. Dança rodas e poéticas. São Paulo, 2007.

DENNET, Daniel Clement – Tipos de Mentes: rumo a uma compreensão da consciência, RJ, Rocco, 1997.

Foucault, M. Microfísicas do Poder. Rio de Janeiro. Ed: Graal. 1979.

NUNES, João Arriscado; ROQUE, Ricardo, organizadores, - Objetos Impuros: Experiências em Estudos sobre a Ciência, Edicor Afrontamento e autores, Porto, 2008.

SANTOS, M.O espaço do cidadão. São Paulo: Nobel,1987.

THIOLLENT. Michel, ARAÚJO FILHO, Targino de, SOARES, Rosa Leonôra Salerno. (coord.) Metodologia e experiências em projetos de extensão. Niterói-RJ : EDUFF, 2000.

 

 

 

 

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