Oficina de dança com operários da Empresa DASS na Bahia

Oficina de dança com operários da Empresa DASS da Bahia
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Desde 2007, a Cia Balé Baião de Itapipoca vêm desenvolvendo um projeto continuado de dança contemporânea com operários da Empresa DASS (Fábrica de sapatos). É meta do Balé Baião inserir-se sócio-artísticamente, visando a edificação de uma dança cooperativa e inclusiva onde os protagonistas do processo sejam “pessoas comuns”, sem base técnica em dança. Dessa investida funciona hoje o Núcleo de dançarinos-operários da DASS de Itapipoca, que inclusive já se apresentou no SESC Iracema com o espetáculo “Maquinaria” e no Festival de Dança do Litoral Oeste com o “Tá na hora”. Mais recentemente formou-se na cidade de Santo Estevão, Bahia, mais um Núcleo de Artes Cênicas composto por operários da DASS. Percebo que esse projeto começa a ganhar proporções interessantes dignas de uma reflexão artística e pedagógica.
Vislumbrar com uma dança de operários é apostar na função educativa e emancipadora que a dança possui, desde o favorecimento do reencontro com os corpos, historicamente castrados e perseguidos em detrimento de uma cultura mercadológica, nisso anti-expressão, anti-prazer, anti-singularidade e anti-conhecimento. Depois pelo reencontro das possibilidades de criação e comunicação desses corpos. A dança contemporânea, sobretudo o contato-improvisação, são vias que suscitam para que bailarinos e não-bailarinos possam estabelecer pela “vivência do encontro” a possibilidade de criação coletiva, de construções estéticas contextualizadas e de fato significativas. E não falo aqui de uma “dança instrumento engajado” para que “através” de sua intervenção possam se concretizar transformações sociais. Falo de uma dança que em si própria traz a práxis da libertação. Ela em si é um ato, um manifesto afetivo-ético-estético de sociedade nova que se faz em corpos que se propõem experimentar.
Compartilho com todos da minha alegria em estar viajando semana que vem para a Bahia onde passarei cinco dias ministrando aula de consciência corporal, improvisação na dança e teatro físico para esse núcleo novo da cidade de Santo Estevão. Além desse núcleo, estarei também trabalhando dança com os gerentes da referida empresa, focando o movimento corporal como vivência do espírito colaborativo e empreendedor. Estou muito empolgado em fazer esse paralelo entre extremos: operários em um horário, gerentes em outro... Personagens que na história sempre foram apelidados de oprimidos e opressores. Caderno de bordo a postos para escrever tudo. Penso em fazer mestrado e esse é o início de uma pesquisa que pretendo apaixonadamente desenvolver. Obg pelo apoio e o incentivo de todos os amigos e amigas, cúmplices dessa dança contextual.
Gerson Moreno

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